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Sempre me perco na avenida
e no elevador.
Sempre me perco na corrida
na rima
na poesia.
Não entendo seu cheiro
em tudo isso:
na camisa aberta
na rua parada
na casa lavada.
E na avenida,
as palavras rimam
de forma
- quase -
ridícula.
Continuo perdida.
(apagar a poesia, vá lá
mas quem me apaga a memória?)
NDS
vendaval
que na fúria passa
e me leva
ou devolve
quem sabe?
vendaval
em todas as direções
braços se envolvem e se tocam
pianos ressoam temerosos
trançados num ritmo único
mas o rancor não cessa
como a música em nossos ouvidos surdos
e da ventania selvagem
não me restam roupas
ou pudores que me protejam
de seus olhos
NDS
vandalizaram
meu coração
disseram em algum lugar da cidade
dessa forma bem batida
sobre um acidente na avenida
- e dói
porque eu sei o que é a dor -
com aquelas tintas malcheirosas
escreveram coisas horríveis.
normalmente eu não ligaria,
mas depois desse acidente, tudo importa
(odeio quando você sai
e bate a porta)
NDS
eu me sinto quebrada.
como se as palavras se despedaça
s
sem
e com elas, eu.
me sinto errada.
o vento bagunça meu cabelo
e atrapalha minha visão
tudo fica embaçado
(mas são lágrimas)
tudo fica confuso
e minha cabeça não faz outra coisa
senão rodar.
me sinto quebrada
porque simplesmente
não dá para viver
metade
aqui
metade
aí
NDS
Terceiro dia do ano
terceira noite sem dormir
terceira vez que eu tento
- os erros superam qualquer múltiplo!
Sempre acabo em terceiro lugar.
Todo dia alguém se apaixona
(ou coisa assim, vocês me entendem)
e eu insisto em fugir e me esconder
em quartos de quatro lados
ou em dois lugares ao mesmo tempo
Insisto em operações desarranjadas:
por aqui,
eu trespasso meus problemas.
NDS