sábado, 12 de março de 2011

Cidade Jardim

Sempre me perco na avenida
e no elevador.
Sempre me perco na corrida
na rima
na poesia.

Não entendo seu cheiro
em tudo isso:
na camisa aberta
na rua parada
na casa lavada.

E na avenida,
as palavras rimam
de forma
- quase - 
ridícula.

Continuo perdida.

(apagar a poesia, vá lá
mas quem me apaga a memória?)


NDS

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Ventania

vendaval
que na fúria passa
e me leva
ou devolve
quem sabe?
vendaval

em todas as direções

braços se envolvem e se tocam
pianos ressoam temerosos
trançados num ritmo único

mas o rancor não cessa
como a música em nossos ouvidos surdos
e da ventania selvagem
não me restam roupas
ou pudores que me protejam
de seus olhos


NDS

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

mas não é sempre assim que as coisas acontecem?

vandalizaram
meu coração

disseram em algum lugar da cidade
dessa forma bem batida
sobre um acidente na avenida
- e dói
porque eu sei o que é a dor -
com aquelas tintas malcheirosas
escreveram coisas horríveis.
normalmente eu não ligaria,
mas depois desse acidente, tudo importa

(odeio quando você sai
e bate a porta)


NDS

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Fragmentos

eu me sinto quebrada.
como se as palavras se despedaça
s
sem

e com elas, eu.

me sinto errada.

o vento bagunça meu cabelo
e atrapalha minha visão

tudo fica embaçado

(mas são lágrimas)

tudo fica confuso

e minha cabeça não faz outra coisa
senão rodar.

me sinto quebrada

porque simplesmente
não dá para viver

metade

aqui
metade



NDS

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Por que três?

Terceiro dia do ano
terceira noite sem dormir
terceira vez que eu tento
- os erros superam qualquer múltiplo!

Sempre acabo em terceiro lugar.

Todo dia alguém se apaixona

(ou coisa assim, vocês me entendem)
e eu insisto em fugir e me esconder
em quartos de quatro lados
ou em dois lugares ao mesmo tempo

Insisto em operações desarranjadas:

por aqui,
eu trespasso meus problemas.


NDS